Informação na Saúde

Pressão alta: um conceito em evolução

Estamos em plena campanha, encetada pelo Departamento de Hipertensão da Sociedade Brasileira de Cardiologia, cujo slogan é: "eu sou 12 x 8".

Esse é o conceito de pressão normal. Ou seja, é muito bom ter pressão arterial em torno desse limite. Sabemos que pressão arterial acima desses valores está associada à doença no coração, nos vasos, nos rins e no cérebro. O acometimento desses órgãos determina o aparecimento de Enfarte e Acidente Vascular Cerebral - AVC, Derrame (ainda a maior causa de morte nos brasileiros, nos países subdesenvolvidos e em desenvolvimento). Revelando claramente que a luta contra a hipertensão vem sendo perdida.

O diagnóstico de hipertensão ainda é feito com medidas de pressão realizadas nos consultórios, utilizando-se equipamentos validados e calibrados, em duas medidas durante uma consulta, e em pelo menos duas consultas. Valores iguais ou superiores a 140 x 90 (14 x 9), são considerados limites para o preciso diagnóstico de hipertensão. Na dependência dos valores encontrados, a hipertensão pode ser classificada em estágios 1,2 ou 3. As Diretrizes preconizam que além do diagnóstico, o paciente deve ter o risco cardiovascular estratificado para que facilite a abordagem com remédios, e também se avalie a possibilidade de, em 10 anos, o paciente apresentar complicações mais severas. Na dependência dessa estratificação, que pode ser de baixo, médio, alto e muito alto risco, estabelece-se metas para o tratamento. Geralmente para pacientes de baixo e médio risco a meta é abaixo de 140 x 90. Pacientes de alto e muito alto risco a meta a ser alcançada com o tratamento é de 130 x 80.

No entanto, o maior problema é que o diagnostico de hipertensão, com bases nas medidas de consultório (que apenas deve ser feito quando o paciente tem pressão alta, acima de 140 x 90 e também sinais de lesões nos chamados órgãos alvo, sofre de duas dificuldades. A identificação de duas situações bastante comuns na prática clinica denominadas de hipertensão do avental branco e hipertensão mascarada. Essas duas modalidades de hipertensão carecem da ajuda de equipamentos que possam medir a pressão fora dos consultórios com confiabilidade.

Hipertensão do Avental Branco é relativamente comum e acomete cerca de 30% dos pacientes que procuram os consultórios. Caracteriza-se por pressão medida no consultório sempre acima de 140 x 90, e quando a pressão é medida fora dos ambientes de consultório, os valores são sempre inferiores a 135 x 85. Ainda não há clareza suficiente se essa é uma situação benigna. O seu diagnóstico é fundamental para que não se trate com remédios pacientes que deles não necessitam. O diagnostico dessa situação exige medidas da pressão arterial, fora dos consultórios, com equipamentos confiáveis (validados e calibrados).

A outra situação, bem mais séria é a chamada Hipertensão Mascarada. Ao contrário da situação anterior a sua prevalência é um pouco menos, de 8 a 12%, mas sua importância maior, porque seu diagnostico quase sempre é feito tardiamente. Caracteriza-se pelas medidas de pressão nos consultórios inferiores a 140 x 90, e pressão medida em cada maior que 135 x 85. Em idosos a sua prevalência é bem maior, cerca de 40%, e está fortemente associada ao tabagismo.

Hipertensão Verdadeira: pressão aumentada no consultório e em casa.

Hipertensão do Avental Branco: pressão aumentada no consultório e normal em casa.

Hipertensão Mascarada: pressão normal no consultório e aumentada em casa.

Três modalidades de hipertensão, que ampliam o conceito da doença que mais mata e mais incapacita em todo o mundo.

Dr. Marco Mota

Médico cardiologista

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Dr. Marco Mota
Professor Titular de Cardiologia da Faculdade de Medicina da UNCISAL
CRM 718

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