Situação da Vida Real - Controlar a pressão arterial diminui o risco de enfarte?

Situação da Vida Real - Controlar a pressão arterial diminui o risco de enfarte?

“Doutor o meu médico me falou que se eu não controlar a minha pressão eu posso ter um enfarte. Sempre soube que a pressão alta dá mais derrame. Por favor me esclareça essa história”.

Quando seu médico recomendou que controlasse sua pressão alta, ele teve razão em dizer que você estaria diminuindo as chances de ter um enfarte. Embora a hipertensão não seja a única responsável pelo enfarte, ela também é uma séria determinante dessa complicação. Sempre que falamos em enfarte é bom lembrar que o colesterol alto é o fator de risco mais importante. No entanto, a pressão alta junto com os outros fatores de risco (em especial o tabagismo), também aumenta a chance do individuo sofrer um enfarte.

Você tem razão quando pensou que a pressão alta seria o fator de risco mais importante para o derrame. O tratamento da pressão alta muda a estimativa de aparecimento do derrame.

Recente estudo, publicado em novembro por pesquisadores da Universidade de Duke nos EUA, mostrou que a mortalidade por doenças cardiovasculares diminuiu 20% em quatro décadas. Seguramente o diagnóstico precoce e o tratamento da hipertensão, combinado com a diminuição do tabagismo e o controle do colesterol, foram determinantes para se alcançar um resultado tão alvissareiro.

Considerando que morrem nos EUA 610 000 pessoas por ano, de doenças cardiovasculares, uma redução de um quinto nesse quantitativo é motivo de comemoração.

Curiosamente, o investigador principal desse estudo mostrou que se comparado a uma pizza, houve uma redução do tamanho grande para um tamanho médio. Mesmo assim, quando se olhava cada fatia da pizza, lá estavam presentes na mesma proporção: a pressão alta, o colesterol e o tabaco.

Demonstrando, que um esforço maior dos profissionais de saúde e dos programas de saúde governamentais, podem num futuro levar o figurativo da pizza para um tamanho pequeno.

Outro dado interessante foi que o diabetes perdeu força como determinante de doença cardiovascular. Possivelmente, o diagnóstico precoce e melhor tratamento está mudando o curso dessa séria enfermidade.    


 

Marco Mota   
(CRM 718 – AL) Médico Cardiologista e integrante do
corpo clínico do Hospital do Coração de Alagoas
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